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Quem sou

Paulo Pinto, por Ruy Carlos Ostermann

O desejo nem tão secreto de um fotógrafo é assegurar-se de que o mundo naquele exato instante do clic ficou para sempre, que só não é eterno porque aquela quase imperceptível modulação dos elementos da foto intromete-se um pouco de tempo uma data, a hora do dia, a estação do ano, a juventude da moça, o prédio que não existe mais.

E ao contrário de congelar o mundo e tê-lo por inteiro nos limites humanos da fotografia, concede-se a graça do movimento contínuo. A foto sempre é o que ela induz continuadamente através de sua composição, não deixa de ser o mundo, isso é, tudo o que existe, sempre renovado.

Porque as grandes decisões do homem sempre devem ser o que ainda falta. Esse modo inacabado é também a sua precária eternidade.

Os cheios não prestam, os vazios ou incompletos é que movem a imaginação, o pensamento. E as melhores fotos. Se presto atenção no trabalho do Paulinho Pinto mais me convenço.

Outro dia estava auscultando a sua visão da cidade de São Paulo, num domingo desses no Estadão, e fiquei mais uma vez impressionado com a capacidade de exaltar a alma das ruas, becos, praças , prédios e rostos,sobretudo rostos, matéria que de resto só mesmo com essa capacidade de "ler" o mundo que os grandes fotógrafos têm se pode assegurar (salvar) na decomposição moral desses espaços púlicos. Ele fez o mesmo com qualquer assunto mas desconfio que é pelo futebol que tem uma queda , uma sensibilidade de apoio, e a foto, não sei, sai mais macia e comprometida.

Somos assim, os profissionais que migram constantemente do futebol para as outras dimenses do jornalismo: Carregamos uma idéia de que o mundo é dos heróis de cada dia e que vida é um bom jogo de futebol, que se precisa ter competência para sempre salvá-lo das pequenas grandes barbáries. Como faz o Paulinho, sorridente e justo com sua máquina fotográfica, olhando o mundo e o justificando humanamente.

Pássaros - A história e a música por trás de uma foto

Foto de pássaros publicada no "Estado" vira música

Públicitário e músico, Jarbas Agnelli visualizou partitura na imagem captada pelo fotógrafo Paulo Pinto

Texto retirado do Estado de São Paulo

Tudo começou com a foto de pássaros pousados nos fios de luz de uma rua feita pelo repórter fotográfico Paulo Pinto, de 49 anos, no interior do Rio Grande do Sul. Uma cena normal, dependendo do olhar. Para o paulistano Jarbas Agnelli, de 46 anos, a imagem "soou" como música. Notas numa partitura foram o que lhe pareceram as aves nos fios de alta tensão. Publicitário e músico, Agnelli recortou a foto publicada no Estado na quinta-feira passada e, naquela noite, no estúdio de sua casa, começou a compor com base nas notas que enxergou na imagem.


Confira vídeo do TEDxSP, com Jarbas Agnelli - "A história e a música por trás de uma foto"